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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Uma editora com história para contar

Na edição de agosto de 2012 da Revista Metáfora (Editora Segmento), sai uma breve resenha que escrevi sobre o livro A Globo da rua da Praia, de José Otávio Bertaso (Globo Livros, 2ª ed., 2012).


O texto está aqui

terça-feira, 29 de maio de 2012

Doses de Oscar Wilde

Numa postagem de 2011 eu falei brevemente sobre o livro Nietzsche para estressados, de Allan Percy (Editora Sextante, 2011). Desse mesmo autor, temos agora Oscar Wilde para inquietos.

A proposta é a mesma: 99 frases comentadas para fazer o leitor refletir em seu estilo de vida. Se os estressados podem encontrar em Nietzsche critérios para vencer os ressentimentos e as queixas, os inquietos vão descobrir em Wilde que um pouco de elegância e apego ao momento presente ajudam a manter a calma e apreciar as verdadeiras riquezas da vida.

Oscar Wilde era paradoxal, inconveniente, incoerente, irônico, mordaz e crítico implacável das hipocrisias sociais. Amante da beleza e do prazer, denunciava: sabemos o preço de tudo, mas não sabemos o valor de nada!

De fato, algumas doses de Wilde serão úteis para aqueles que passam o dia preocupados e atarefados com tantas coisas importantes e urgentes, mas esquecem de valorizar a única coisa realmente essencial — estar vivo...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Um livro animal

A vida de Pi, de Yann Martel (Editora Nova Fronteira, 2010), é um livro animal. No sentido da gíria, porque é um livro fantástico, fora de série, mas também porque trata de animais... e de seres humanos, perigosos animais que somos.


O protagonista é o garoto indiano Piscine Molitor Patel. Seu apelido é Pi, e sua vida gira em torno de religiões e bichos. Pi aprendeu que num jardim zoológico os animais observam os visitantes humanos com tanta ou maior curiosidade do que nós a eles. E não alimenta a ilusão de que javalis, macacos e elefantes, nas jaulas, estejam em situação pior do que na selva, onde predadores, parasitas e outros perigos tornam tão estressante a vida animal.


O livro se torna ainda mais interessante na parte 2, quando, depois de um naufrágio, Pi se vê num bote salva-vidas, no meio do oceano Pacífico, em convivência forçada com uma hiena traiçoeira, uma zebra, uma orangotango e o terrível (e faminto!) tigre de bengala chamado Richard Parker.


É uma aventura mística, afinal, em que se misturam medo e alegria, dúvida e fé, desespero e esperança. O desenlace surpreende.

terça-feira, 13 de março de 2012

Dentro do coração

Coração, na edição
da Cosac Naify, 2011.
Poderíamos brincar com a letra da famosa canção... Livro é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração...


Porque volta e meia retomamos autores ou obras que nos marcaram um dia. Dentre os livros que li no início da adolescência, Coração, de Edmondo de Amicis (1874-1908), estava guardado em lugares secretos da alma, ou da mente, ou do próprio coração.


Cuore, na edição
da Autêntica, 2012.
Guardava da antiga leitura uma sensação de leve sofrimento, de angústia contida perante as dificuldades de alunos italianos num tempo longínquo, dificuldades materiais na Europa do século XIX, dificuldades no relacionamento escolar, a dolorosa comparação entre colegas, porque sempre há os colegas mais ricos, os mais pobres, os mais fortes, os mais fracos, os mais inteligentes, os menos...


Guardava sob sete chaves a imagem de professores dedicados, abnegados, e de pais e mães que se sacrificavam pelos filhos, e de garotos tentando entender o porquê da vida...


Mais de 30 anos depois, deparo outra vez com o mesmo livro. Já não é o mesmo, certamente, porque o leitor que eu fui mudou, e muito. Então, tanto a edição da Autêntica (2012) como a da Cosac Naify (2011) chegaram na hora da releitura. É hora de reler o livro. E reinterpretar quem sou.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quanto custa ou quanto vale um livro?

No Metrô de São Paulo há máquinas que cospem livros. E aceitam qualquer valor. Então, por 2 reais, comprei hoje cedo o romance Fumaça, do escritor russo Ivan Turgueniev (1818-1883). Por apenas 2 reais. Livro novinho: 2 reais.


Foi publicado pela Ediouro (não há uma indicação precisa de data), provavelmente na década de 1980. Está esgotado, mas pode ser encontrado no Estante Virtual.

Num sebo carioca, por exemplo, existe um exemplar disponível, por 12 reais. Ao descrevê-lo, o vendedor avisa que o livro se encontra "em bom estado de conservação, edição brochura com sinais de uso, apresentando um pouco de amarelamento causado pela ação do tempo". Além dos 12 reais, acrescente-se o preço do frete, que pode variar entre 4 e 20 reais, dependendo da urgência do comprador.

Por 2 reais comprei Fumaça.


Não comecei a ler ainda (tantas leituras a fazer!). Sei, porém, que o valor deste livro é muito maior do que o preço estipulado por mim. O livro foi de graça. A valorização será uma decorrência da leitura.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Ler e prazer

Para muitos, ler é sofrer. Associam leitura a tortura. Não se sentem livres perto dos livros. Outros sentem pavor. Outros experimentam o tédio. Uma pessoa me disse certa vez que tinha preguiça de virar as páginas de um livro...


A carioca Heloisa Seixas escreveu O prazer de ler (Casa da Palavra, 2011), livrinho de bolso (e apenas 78 páginas!), que oferece muito mais do que prometem suas reduzidas dimensões.


O prazer da leitura está associado a lugares (livrarias, sebos, bibliotecas...), a pessoas sempre vivas (todos os autores estão vivos), a diversas sensações e emoções: arrepios, entrega, estremecimento, saudade, expectativa, descoberta, generosidade, adoração, sonho, estranheza, susto...


O prazer nem sempre é leve ou ameno. Ler não é algo de somenos. O valor deste pequeno livro de Heloisa Seixas está em nos provocar uma grande vontade de ler mais.


Ler é descobrir — por mais curta que seja a vida, por mais limitados que sejam nossos poderes... ao virar as páginas de um livro estamos movendo mundos.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A eterna insatisfação

Estes quadrinhos de Fábio Moon e Gabriel Bá (na Folha de S.Paulo de hoje) me fizeram sentir um animal devorador de livros. Acrescentaria: "Não estou satisfeito com o que eu leio".
Que todos sejam vítimas dessa mansa loucura. Que todos tenham fome de ler. Uma fila de livros à espera da leitura, maior que as centopeias nas agências bancárias em dias de movimento. E apenas uma pessoa na caixa para atender à multidão: você.


Minha fila atual tem — geração superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros, de Nicholas Carr (Agir), Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas, de Michael Shermer (JSN Editora), As coisas, de Georges Perec (Cia. das Letras), Literatura e gerações, de Julián Marías (Liv. Duas Cidades), O pianista no bordel, de Juan Luis Cebrián (Objetiva), A cortina, de Milan Kundera (Cia. das Letras), Nietzsche, de Rüdiger Safranski (Geração Editorial)...


Não estou satisfeito com o que li, e muito menos com o que ainda não li. Insatisfeito com a quantidade. E com a qualidade. Por melhor que seja o livro... sempre se espera um livro melhor.


E a fila aumentando...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sem braços, sem pernas, e sem... limites

No ano passado, ganhei o livro Uma vida sem limites (Novo Conceito Editora, 2011), em cuja capa está o autor, o australiano Nick Vujicic, um belo rapaz, sem braços, sem pernas, com uma boa história para contar.


A sua história é uma história de superação. Suas vitórias são inspiradoras. Sua fé religiosa é sincera e, graças a essa fé, Nick multiplicou em si mesmo cem braços e cem pernas, para abraçar e percorrer o mundo.


Penso que existe a autoajuda desqualificada e a autoajuda qualificada. Aquela, a desqualificada, está baseada em manipulação, e em linguagem que hipnotiza. Já a qualificada, nasce de uma experiência existencial autêntica.


A qualidade de um livro desse gênero está em não gerar ilusões. Os braços e as pernas não existem. A imagem da capa é forte mas não é chocante. O pescoço de Nick é musculoso, pois ele o exercita para se mover com o máximo de autonomia possível. Ele nada muito bem, como podemos ver no vídeo abaixo.



Possui um SPC (Sistema Pessoal de Convicções), tem uma voz firme e convincente, um estilo. Tornou-se um empreendedor social. Neste ano de 2012, fará 30 anos de idade.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Um 2012 de muitas e intensas leituras!

O grande Goethe escreveu que "todo vivente forma em torno de si uma atmosfera".*

Quando as pessoas se aproximam de nós (e nossos textos) sentem, portanto, os ventos das ideias, o ar puro dos argumentos, as tempestades das emoções, os relâmpagos da ansiedade, os trovões do medo, a escuridão da saudade, o crepúsculo das paixões, a aurora de novos projetos, as nuvens dos receios e a brisa do silêncio...


Somos pessoas com diferentes climas e estações, calorosas e frias, outonais e primaveris, chuvosas e áridas, por vezes sufocantes, por vezes amenas.
Que a nossa atmosfera pessoal, mesmo sob a pressão do trabalho e bombardeada pela previsão de catástrofes, seja sempre um espaço para a verdade e para a esperança!


Desejo a você um 2012 de muitas e intensas leituras!
___________________
Johann W. GOETHE, em Máximas e reflexões,  ponto  47. No original: “Alles Lebendige bildet eine Atmosphäre um sich her.”

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal e boas leituras!

Feliz Natal e boas leituras sempre, é o que desejo a quem passar por aqui. A charge de Laerte apareceu hoje, na Folha de S.Paulo:



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O reencontro com a leitura

O filme Minhas tardes com Margueritte (2010) é um canto ao reencontro com a leitura. O título em francês — La tête en friche — fala de uma cabeça baldia, uma cabeça sem cultivo e sem cultura, como terreno abandonado.

O terreno abandonado foi a inteligência do personagem quando menino. O professor de leitura massacrava o garoto em sala de aula. E a mãe massacrava o garoto em casa. O garoto Germain cresceu e se tornou um homem sem leitura, mas com capacidades de sobra. Gérard Depardieu está ótimo. Seus encontros literários com a velhinha de 95 anos são inesquecíveis. O filme é para rir e para chorar. Excelente chance didática para falar sobre leitura, para além da obrigatoriedade seca dos vestibulares e testes de múltipla desescolha...

A leitura em voz alta, a imaginação viva, o leitor como cocriador, a literatura como instrumento de autoconhecimento, como ocasião de encontro entre as pessoas — imperdível.

Ah, o filme é uma adaptação do romance, com esse título, de Marie-Sabine Roger (1957 - ), autora desconhecida no Brasil.

E um delicioso aperitivo:

domingo, 11 de dezembro de 2011

Um rascunho todo mês

Todo mês recebo em casa rascunho, de Curitiba. A edição deste mês de dezembro traz um excelente artigo de Affonso Romano de Sant'Anna sobre o "excesso" de livros e a falta de leitores. O poeta observa como é diferente nosso hábito de ler do hábito de beber. O governo compra livros, mas é o cidadão que banca a cerveja.

E outras matérias no rascunho, sobre literatura infantil, poesia, tradução, mulheres e a profissão literária, um bom artigo de José Castello sobre Kerouac e Tchekhov, uma resenha sobre Marcelino Freire, enfim, 32 páginas de jornal dedicadas à literatura.

É curioso que a publicação ainda não adote as regras do novo Acordo Ortográfico, regras que ano que vem passam a valer 100%. Mas essa resistência revela, por outro lado, uma vontade de ir contra a corrente, uma rebeldia.

O site do Jornal Rascunho (ligado à Gazeta do Povo) vale a visita.

sábado, 8 de outubro de 2011

Steve gostava de antever

No dia 5 de outubro, ao saber que Steve Jobs acabara de falecer, comprei O mundo segundo Steve Jobs (Campus, 2011). Essa coletânea de frases, a cargo de George Beahm, mostra como "funcionava" a cabeça deste visionário.

Suas palavras numa palestra para estudantes, em 2005, revelam sua visão a respeito da morte. Ele a via como uma invenção da vida. A vida é inovadora e renovadora. A consciência de que morrer é inevitável pode se tornar fonte de ideias e decisões.

O câncer raro não se manifestou à toa. Um homem incomum, obcecado pelo trabalho, intolerante com a preguiça, amante do ótimo, apaixonado pela qualidade, perseguidor da perfeição, atraído pelas mudanças revolucionárias, vivendo situações-limite, antevendo tudo... tinha de atrair um câncer raro. E câncer no pâncreas, que, do ponto de vista biológico e simbólico, é o órgão que libera toda a energia necessária para que possamos levar o irrealizado ao realizado.

A nossa força é a nossa fraqueza. Steve Jobs tinha muita energia, sabia disso e o dizia com palavras e ações. Muita energia, muita imaginação. Provenientes do pâncreas e do olhar. A certeza da morte é impulso para gastar todas as energias. Todas.

A morte "depura os sistemas, eliminando os antigos modelos obsoletos" (pág. 53). O pâncreas é indispensável à digestão, contribuindo para transformar alimentos em substâncias que darão energia ao corpo. A morte se faz vida. Mas a vida material se esgota. As ideias nascem, brilham, voam, e deixam para trás o corpo em que nasceram.

Steve Jobs não cultivava ilusões. Sabia, por exemplo, que o excesso de informações distribuído pela Web se perde por falta de visão e de leitura, por falta da prática do pensamento. Por isso, talvez, afirmou que trocaria toda a sua tecnologia "por uma tarde com Sócrates" (pág. 83), com quem travaria um diálogo cheio de perguntas e perplexidade.

domingo, 2 de outubro de 2011

Doses de Nietzsche

Entre o pensamento hermético e o diluído, entre o pensamento rarefeito e o banalizado, é possível encontrar reflexão profunda e alcançável, algo sutil e concreto.

É o caso de Nietzsche para estressados, de Allan Percy (Editora Sextante, 2011). Divulgação filosófica na esteira de Lou Marinoff, que recomendou doses de Platão em lugar de Prozac. Autoajuda qualificada.

São 99 doses de filosofia para que os preocupados, assustados, queixosos, ressentidos pensem melhor. Nada do outro mundo. Às vezes beirando o simplismo. Nietzsche talvez ficasse estressado lendo este livrinho. Mas talvez risse, quem sabe?

Afinal, na página 57, Allan Percy atribui a Nietzsche a certeza de que sorrir e estar bem-humorado são terapêuticos: regulam a pressão arterial, reforçam as defesas do corpo contra doenças, aliviam a fadiga, ajudam a relativizar os problemas...



domingo, 25 de setembro de 2011

Revistas que desbancam

Há revistas que desbancam, ultrapassam nossa expectativa, extrapolam. Vejo nas bancas duas revistas assim, nascentes, Metáfora e Quanta. Lançamentos da Editora Segmento.

Na Metáfora, um dos artigos mostra escritores que previram descobertas científicas: "A ciência dos escritores", assinado por Luiz Costa Pereira Jr.

Por exemplo, o escritor irlandês Jonatham Swift descreve em As viagens de Gulliver, no século XVIII, o mal de Alzheimer, que alguns biógrafos afirmam ter sido a doença que matou o próprio Swift.

E na Quanta, outro Luiz, o biólogo Luiz Caldeira Brant de Tolentino Neto, escreve "A superação das metáforas", analisando a relação entre linguagem e modelos de explicação científica.

As duas publicações começam juntas seu caminho. Paralelas, dialogam entre si. Que tenham longa vida entre um número crescente de leitores!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ler é pouco... livro come-se!

O escritor espanhol Miguel de Unamuno (1864-1936) dizia que lê bem quem come o livro. Comer os livros de Unamuno é um banquete. Unamuno radical, dramático, etimológico, republicano, ensimesmado, angustiado e agostiniano, cristão e herege, acadêmico e ficcionista, cronicamente crítico, existencialista e existencialmente exilado, quixotesco e chicoteador das palavras. Paradoxal em seus monodiálogos!

De Unamuno acaba de ser publicado Como escrever um romance (Realizações Editora, 2011), com essas características todas e mais algumas. Um (im)puro Unamuno para comer em língua portuguesa. Considerações, invenções, confissões... Que ninguém espere um livro bem-comportado!

Um aperitivo só, retirado da página 127:

E eu quero lhe contar, leitor, como escrever um romance, como se escreve e há de escrever você mesmo seu próprio romance. O homem interior, o intra-homem, quando se torna leitor, contemplador, se é um ser vivente há de se tornar leitor, contemplador do personagem que ele está ao mesmo tempo lendo, escrevendo, criando — contemplador de sua própria obra.

sábado, 18 de junho de 2011

Pontuação em luta

Christian Morgenstern (1871-1914) escreveu No reino da pontuação (Berlendis & Vertecchia, 2010), um poema sobre conflitos entre vírgulas, pontos de interrogação, pontos-e-vírgulas, travessões... uma guerra sem ponto final! De tirar o fôlego de qualquer leitor...

Vírgulas com cabeças cortadas, sangue nas páginas, crueldades impontuais, o hífen valentão brigando sem parar, o cemitério cheio de sinais, o ponto exclamando seus ais!

A tradução é de Tetê Knecht. As ilustrações são de Rathna Ramanathan. Belo trabalho das duas artistas.

E o confronto é mesmo inevitável! Escrever, pontuar, é aquela luta de sempre. Na sintaxe das batalhas, todos deveriam abandonar as reticências! Presos entre parênteses, precisamos resistir!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Conhecer, interpretar e mudar

Retrato da autoria
de Fernando Vicente,
ilustrador espanhol
O livro O mal ronda a terra (Objetiva, 2011), do historiador e escritor britânico Tony Judt (1948-2010), associa o título assustador a uma espantosa lucidez de seu autor, recentemente falecido.

Surpreendeu-me o tom do livro. Há informações sobre a realidade econômica do ocidente que não frequentam as páginas dos jornais. E uma visão crítica com relação a valores dominantes que conduziram a Europa e os EUA a uma situação social, hoje, problemática e preocupante.

Algo de filosofia o livro tem. Uma insatisfação boa, que fala em conhecer, interpretar, mas também em trabalhar para mudar. É o que percebo neste trecho (pág. 48):

Uma pesquisa entre estudantes ingleses realizada em 1949 mostrou que quanto mais inteligente o aluno fosse, mais tendência tinha a escolher uma carreira interessante, com salários razoáveis, em vez de um emprego que simplesmente lhe pagaria bem. Os estudantes e universitários de hoje conseguem imaginar poucas opções além de buscar um emprego lucrativo.

sábado, 30 de abril de 2011

Ler para indignar-se

Quem não se indigna com nada... perdeu a dignidade. Uma primeira ideia, depois de ler o brevíssimo manifesto pessoal de Stéphane Hessel, atualmente com 93 anos! Chegou às livrarias recentemente. A capa vermelha. O ponto de exclamação.

Lançado na França em outubro de 2010, já foi traduzido para inúmeros idiomas. Chegou ao Brasil. Publicado pela Texto Editores, do grupo Leya.
Leiamos então. O autor escreve com simplicidade e força: "Minha longa vida deu-me uma sucessão de motivos para me indignar." (pág. 18)

E recomenda que os jovens saiam um pouco de si mesmos, e olhem ao seu redor. Quem procura motivos para sair da indiferença moral, é porque conhece o valor da dignidade humana. E ficará indignado.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Leituras educadoras com Todorov

O título original não era esse, A beleza salvará o mundo. Era Les aventuriers de l'absolu. O tradutor, Caio Meira, ajudou Tzvetan Todorov (1939 -) com essa solução brasileira.

O livro foi publicado entre nós este ano (pela Difel). São ensaios sobre Oscar Wilde, Rilke e a poeta russa Marina Tsvetaeva (ou Tsvetáieva), e sobre o tema do absoluto.


Todorov está em sua melhor forma. A literatura é leitura educadora. A leitura é aventura. Mais uma das tantas "turas" de que falava Julio Cortázar. Aliás, o autor argentino dizia que a beleza era a tura das turas. Lemos para aprender, em meio à dor e à alegria, surpreendendo-nos, exigindo-nos.

Todos os tempos são difíceis. (E, a seu modo, belos.) Todos enfrentam problemas e carecem do absoluto. A arte é sempre necessária. Esses autores, diz Todorov, "e muitos outros ajudam a cada um de nós a melhor pensar e dirigir sua existência". (pág. 325)