Mostrando postagens com marcador filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filosofia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A crise e suas surpresas

A editora Bertrand Brasil lançou recentemente Como viver em tempo de crise?, de Edgar Morin e Patrick Viveret (trad. de Clóvis Marques).

Morin fala sobre o imprevisível, sobre a complexidade que, de algum modo, joga a nosso favor. Tudo está ameaçado, mas nem tudo está perdido. O filósofo Viveret, mais prolixo do que Morin, também aborda as ameaças e possibilidades do futuro. Ambos em tom ensaístico, erudição na medida certa, clareza de expressão, evitando euforia e depressão, e cultivando uma discreta esperança.

Estamos em crise. Todos sabem que a crise está instalada. Uma crise de mil facetas. A primeira década do século XXI não foi o fim do mundo, mas o começo do fim de uma etapa planetária. Estamos em pleno apocalipse, lembrando que essa palavra significa "revelação". As dores revelam problemas e soluções. Soluções surpreendentes.

Livro curto (não chega a 80 páginas), porém nada grosso. Os autores são sutis. Abordam as tragédias com delicadeza. Sugerem, indicam, não fazem profecias, mas não desistem de apostar num mundo melhor.

sábado, 28 de julho de 2012

A dois passos do Paraíso

Jornalistas que sabem pesquisar e escrever podem apresentar bons trabalhos de divulgação (e até de reflexão) sobre temas relevantes e... transcendentes. Um exemplo é Paraíso: nossa eterna fascinação com a pós-vida, de Lisa Miller. O livro saiu pela editora Nossa Cultura, em 2011.

Entrevistando representantes de diferentes religiões, consultando obras e pesquisadores com visões de mundo (e de vida post mortem) divergentes, analisando pinturas e filmes, relatando histórias de gente como a gente, e falando um pouco sobre sua própria realidade religiosa, a autora constata o denominador comum: a maioria das pessoas, mais ou menos conscientemente, está à procura ou à espera do Paraíso.

O contexto norte-americano deste trabalho não poderia ser outro. Jornalistas tendem a ver tudo de um ponto de vista mais concreto e contemporâneo. Não são filósofos. Os leitores brasileiros terão de fazer suas próprias pesquisas e reflexões, pois temos outra história e outras experiências paradisíacas e/ou infernais...

Não é livro de teologia ou espiritualidade, mas serve como um bom ponto de partida.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Sem filosofia... nem pensar!

Vou à livraria e a vejo invadida pela filosofia. Pela divulgação de filosofia, sendo mais preciso.

Com capa amarela "cheguei", desde 2011, está em evidência O livro da filosofia, da Editora Globo. Um livro de vários autores: Will Buckingham, Peter King e outros.

Como de praxe, no início era Tales, nascido em Mileto no século VII a.C. Mas não se restringe aos gregos. Menciona Confúcio e Buda. Como também é de praxe, o período medieval recebe modesta atenção, embora  devamos aplaudir o merecido destaque ao grande Tomás de Aquino.

A partir do século XVI, o desfile tradicional: Maquiavel, Bacon, Descartes, Hobbes, Pascal, Espinosa, Locke, Leibniz, Voltaire, Kant, Hegel, Kierkegaard, Marx, William James, Nietzsche, Husserl, Heidegger, Popper, Sartre, Camus, Wittgenstein, Carnap, Gadamer, Adorno, Levinas...

Um detalhe importante neste livro é a inclusão de nomes mais recentes e não tão conhecidos. São eles: Arne Naess (filósofo norueguês), Mary Midgley (pensadora britânica), Paul Feyerabend (austríaco), Thomas Kuhn, John Rawls e Richard Rorty (norte-americanos), Derrida e Lyotard (franceses), Julia Kristeva (filósofa búlgara), Henry Oruka (filósofo queniano) e Slavoj Žižek (esloveno).

A capa amarelona, com desenhos e frases que sintetizam vários sistemas de pensamento, nos convida a entrar. E, lá dentro, páginas vermelhas, azuis, verdes, diagramação boa, viva, muita ilustração, e as informações essenciais bem explicadas.

Mas a invasão filosófica, ou de iniciação filosófica, continua. Com capas atraentes, em busca de um público que já superou os livros de autoajuda.

Neste primeiro semestre de 2012, vários títulos chegaram e são fáceis de achar... e ler.

Leya lança Filosofia em 60 segundos, de Andrew Pessin, uma vez que o tempo é tão curto, e estamos tão apressados. A Civilização Brasileira lança Casos filosóficos, de Martin Cohen, mostrando a realidade comezinha, tantas vezes mesquinha, por trás dos grandes textos. A Difel lança Um passeio pela antiguidade: na companhia de Sócrates, Epicuro, Sêneca e outros pensadores, de Roger-Pol Droit, palatável. Desse mesmo autor, temos Filosofia em cinco lições, pela Nova Fronteira.


São textos para despertar o ser pensante que há em você, prezada leitora, estimado leitor! São aperitivos para maiores banquetes. Iscas para outros petiscos. Fast-food para posteriores manjares.

Se tiver 60 segundos, leia. Se quiser cinco lições, são apenas cinco. Se quiser passear, pegue sua bicicleta reflexiva. Se quiser ouvir alguns casos, senta... que lá vem filosofia! E, sem filosofia, nem pensar!

sábado, 7 de janeiro de 2012

A busca da sabedoria no mundo do trabalho

A empresa que só se preocupa em acelerar a produtividade, gerar lucros, ganhar mercados, ultrapassar os concorrentes, colecionar conquistas... é uma empresa que corre muito... corre o sério risco de destruir e destruir-se.


O sucesso de um empreendimento humano não se reduz aos resultados do gerenciamento financeiro, ou das estratégias de marketing, ou das técnicas de venda. A verdadeira qualidade de uma empresa reside na qualidade das pessoas que nela trabalham e das pessoas que dela recebem algum tipo de serviço.


Esta qualidade humana será fonte de produtividade, lucros, mercados, conquistas... e um certo grau de felicidade.


Não são ideias tão absurdas. Estão presentes no livro Filosofia para executivos (Verus Editora, 2009), cujo subtítulo é "a sabedoria de grandes filósofos aplicada ao dia a dia empresarial". O autor é o alemão Andreas Drosdek, jornalista e consultor de empresas.


Um diferencial competitivo para as grandes empresas do nosso tempo é contratar (e ouvir) um Platão de terno e gravata. Em outras palavras: empresas bacanas buscam a sabedoria, ao passo que empresas toscas torcem o nariz quando alguém fala que é necessário pensar mais e correr menos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Conhecer, interpretar e mudar

Retrato da autoria
de Fernando Vicente,
ilustrador espanhol
O livro O mal ronda a terra (Objetiva, 2011), do historiador e escritor britânico Tony Judt (1948-2010), associa o título assustador a uma espantosa lucidez de seu autor, recentemente falecido.

Surpreendeu-me o tom do livro. Há informações sobre a realidade econômica do ocidente que não frequentam as páginas dos jornais. E uma visão crítica com relação a valores dominantes que conduziram a Europa e os EUA a uma situação social, hoje, problemática e preocupante.

Algo de filosofia o livro tem. Uma insatisfação boa, que fala em conhecer, interpretar, mas também em trabalhar para mudar. É o que percebo neste trecho (pág. 48):

Uma pesquisa entre estudantes ingleses realizada em 1949 mostrou que quanto mais inteligente o aluno fosse, mais tendência tinha a escolher uma carreira interessante, com salários razoáveis, em vez de um emprego que simplesmente lhe pagaria bem. Os estudantes e universitários de hoje conseguem imaginar poucas opções além de buscar um emprego lucrativo.