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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Apelidos literários

Há dicionários para tudo, mas sempre se pode inventar um novo. Acabei de adquirir o Dicionário de apelidos dos escritores da literatura brasileira, de Claudio Cezar Henriques, pela Editora curitibana Appris (2012).

Apelidos elogiosos como "Pai do Romance Brasileiro" para José de Alencar; ou como "Príncipe dos Poetas Brasileiros", compartilhado por Guilherme de Almeida, Paulo Bonfim, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Olegário Mariano e Menotti del Picchia! Para que tantos príncipes, meu Deus?, perguntaria Carlos Drummond de Andrade (cujo apelido era o "Poeta das Sete Faces")! Mas meus olhos não perguntam nada...


Raquel de Queiroz
E uma segunda pergunta: quem serão os reis e rainhas da poesia? "Rainha das Escritoras Brasileiras" foi o apelido de Raquel de Queiroz.

Outros apelidos são menos nobres... como "Boca do Inferno", para Gregório de Matos, "Ratazana ao Molho Pardo", que Oswald de Andrade inventou contra o poeta Cassiano Ricardo (um caso típico de bullying literário), "Sir Ney" para José Sarney, e um hilariante "Tristinho de Ataúde", para Alceu Amoroso Lima, que usou o nome literário Tristão de Athayde.


Fabrício Carpinejar
Alguns são apelidos que serviriam perfeitamente para mais de um. "Médico-poeta", para Pedro Nava, serviria também no caso de Jorge de Lima. "Grande Poeta das Coisas Pequenas", para Manoel de Barros, cairia muito bem em outro poeta, Manuel Bandeira.

O dicionário também poderia inventar uns apelidos... A título de sugestão, chamar Fabrício Carpinejar de o "Mais Belo dos Feios", e Marcelino Freire seria o "Contista de Sertânia".

Os apelidos de que mais gosto são "Vampiro de Curitiba", para Dalton Trevisan, "Poetinha" para Vinicius de Moraes (que, não me lembro quem, brincando, dizia que era de "Imoraes") e "Dante negro" para Cruz e Sousa.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uma pedra preciosa

No ano passado, surgiu a edição ampliada de Uma pedra no meio do caminho: biografia de um poema, livro em que o poema "biografado" é o famoso e famigerado No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade. A ideia original, dessa insólita biografia, foi do próprio Drummond, em 1967. Parabéns aos que tiveram a iniciativa de retomá-la! Parabéns ao poeta e professor Eucanaã Ferraz, que realizou esse belo trabalho de ampliação! Parabéns ao trabalho editorial do Instituto Moreira Salles!

A pedra poética foi rejeitada e adorada, copiada e caricaturada, parafraseada, plagiada e parodiada, apedrejada, louvada, criticada, reinterpretada, homenageada, insultada, amada e odiada.

Isso e muito mais está lá. Pedra de escândalo. Pedra no sapato do poeta mineiro. Nunca se viu uma pedra de vida tão atribulada. Pedra angular da poesia de Drummond. Pedra de toque. Pedra fundamental.

Numa charge de Henfil, no jornal O Globo (17/08/1985), aparece o então ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel diante de uma senhora pedra. Naquela altura, Abi-Ackel era acusado de envolvimento com o tráfico internacional de pedras preciosas. (Mais tarde, foi inocentado.) Registrou-se, porém, a brincadeira: "no meio do caminho tinha uma pedra..."